sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Soltando o Verbo e Abrindo o Coração...



Dar não é fazer Amor - Luís Fernando Veríssimo


Dar é dar.

Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca...
Te chama de nomes que eu não escreveria...
Não te vira com delicadeza...
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar.... 
Sem querer apresentar pra mãe...
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral...
Te amolece o gingado...
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem
esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar
o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
"Que que 'cê acha amor?".
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho...
É não ter alguém para ouvir seus dengos...
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar
Experimente ser amado...

(Luís Fernando Veríssimo)







domingo, 26 de dezembro de 2010

Quase Acreditei... (2)















O quase é impalpável...


O quase é dúvida, e dúvida nos permite voar longe, criar mil resultados para um único início e meio.
A dúvida esta ligada á imaginação, enquanto a certeza á razão!


A dúvida nos permite criar finais felizes, finais satisfatórios ao nosso ego, tudo acontece como gostaríamos que acontecesse, tudo acontece como desejávamos que fosse, ou tudo acontece de uma forma que menos nos proporciona dor e sofrimento, é sempre o ego que escolhe o final... A dúvida abre um leque de opções de finais para uma história que só possui uma verdade! 


A dúvida é a possibilidade que temos de realizar na imaginação um desejo interrompido, ou a nós negado!


A certeza ao contrário da dúvida pode nos causar dor e sofrimento, pode não ser satisfatório ao ego, a certeza é a certeza e nada mais... é a verdade do final seja ela confortável ao ego ou não. Não sendo, no mínimo o ego tentará procurar desculpas pra camuflar a verdade do final, da certeza... rsrsrs mas não poderá alterá-la!


E desculpas é um refugio, é fuga, é por vezes defesa...


É muito fácil encher a boca pra dizer que se prefere as certezas do que as dúvidas... Atire a primeira pedra quem nunca se aproveitou dos benefícios de uma dúvida nem que a curto prazo...


Todo ego é vaidoso!


Todo ego quer de vez enquando ser massageado...  Eu não quis correr o risco de sofrer com uma certeza,  por não querer sofrer vivi na dúvida... ela me alimentava, era bom e ao mesmo tempo ruim, ninguém é completamente feliz e tranquilo com uma dúvida, e eu não sou desligada desse mundo o suficiente para aguentar viver nele camuflando a realidade... Então fui em busca da certeza!


As vezes o planeta Terra nos chama e lembramos que viver de criações da imaginação é atraso de vida e que mau mesmo faz viver assim, esse sim é um mau sem fim... a certeza se for ruim, pode ser superada, agora como superar algo que nem conhecemos? Talvez nem seja ruim saber a verdade... Talvez a certeza seja boa! 
Eis a dúvida mais uma vez... mas não se deixe enganar, esta dúvida é construtiva! rsrs


A dúvida construtiva, a chamada interrogação é que nos leva adiante, que nos faz crescer, que nos faz adquirir conhecimento.... sem dúvidas não há desconfiança do óbvio, sem desconfiança não há investigação, ferramentas para se buscar o conhecimento verdadeiro, e sem conhecimento o ser humano seria uma tragédia!


Me sinto feliz, e privilegiada pela vida quando as coisas começam a me incomodar! É como se a vida escolhesse a mim pra dar um cutucão e dizer: "Acorda relaxada!" (rsrsrs) e aí a gente vai abrindo os olhos aos poucos, sempre no anseio de mudanças, crescimento, evolução! Sou inimiga mortal da palavra COMODISMO












É..., em pensar que eu quase acreditei que a dúvida era santa! Filha da p***.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Desabafo!

É Natal...







É Natal... Época de Renascimento, Felicidades, Alegrias e Comemorações... Só esqueceram de me informar pra quem?
Pra mim não é mais assim...
Me surpreendo e confesso tenho até medo de como as pessoas mudam ao decorrer do tempo, mudam comportamentos, atitudes, ideias, conceitos, materialmente e espiritualmente, simplesmente mudam... 
É Natal gente, e sabe com que ânimo eu grito isso? Com o mesmo que digo alô ao atender um telefone, ou  um obrigada ao rapaz da padaria após me entregar o troco, ou um oi ao vizinho que todos os dias ao sair pra trabalhar dou de cara com ele... É Natal gente! E... ??? E aí???
É triste encarar isso como coisas são banais do dia a dia...

É triste reconhecer, admitir o quanto eu "estou" (estou, do verbo estar e NÃO sou, do verbo ser) tão antissocial, e como os anos me fez tão amarga, fria, e fechada...

Eu queria ter dado um abraço forte em muitas pessoas hoje e lhes ter desejado um Feliz Natal do tamanho do sentimento verdadeiro que sinto por cada um deles... só saiu um feliz natal sem graça, SINCERO mas xoxo, muito xoxo... por que isso já que eu queria? Por que então não o fiz? Por que não foi espetacular meu votos se eram sinceros? Porque... Porque existe uma barreira que me impede de me aproximar profundamente das pessoas, me transformei num muro de concreto de uns tempos pra cá, onde nada passa por esse muro que esta cercado de mágoas, dores da vida e várias defesas.

Bom, a alguns anos atrás Natal era a época em que eu gastava mais dinheiro, tanto com presentes como com lençinhos de papel pra enxugar tantas lágrimas de emoção que eu derramava ( Sempre tive uma personalidade sensível a tudo) a diferença é que hoje as lágrimas não escorrem mais pelos olhos e minha alma esta inundada já.... mas enfim, eu era FELIZ!

Feliz, Alegre, dava bom dia para as pedrinhas que eu encontrava na rua... recordo-me TODO Natal era de praxe eu comprar várias caixas de bombons e sair distribuindo chocolate pra todo mundo, comprava gorrinho de papai Noel e encarava a brincadeira, sempre fui a primeira a agitar festas e a organiza-las (Hoje sou a primeira a fugir de todas) Me desminta se eu estiver mentindo no que vou dizer... Não tem NENHUM amigo meu que naquela época não tenha recebido um presente meu... eu dava presente pra todo mundo e adorava.... amava tudo o que fazia, era tudo de coração, todos conhecem as famosas caixinhas de presente da Euvanir (rsrsrs) não há quem tenha vivido comigo aquela fase da minha vida e não tenha ganhado pelo menos uma... Feliz, Alegre, Agitada, Falante, Dócil... Essa era eu...

Agora estou decepcionada comigo, pois não sei onde escondi aquela Euvanir... 
Os sentimentos puros, sinceros continuam aqui, sinto cada um deles pulsarem dentro de mim, mas não consigo mais expressa-los.
Muita coisa aconteceu pra que eu mudasse tanto assim... Após a perda de um amor, a perda de vários amigos, a algumas sessões de terapia, enxergar o abismo por causa de alguns vícios, a alteração radical que tive em meu corpo (pra pior),  e alguns sentimentos ruins adquirido de experiências amargas da vida tais como culpa e arrependimentos, me transformei no que "estou" hoje, fechada, amarga, desconfiada, antissocial... 

QUERIA TER DADO UM ABRAÇO EM TODOS E DIZER O QUANTO OS AMO, mas não consegui...  Talvez nunca saibam o quanto o meu coração ainda é quente... e os AMA!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Quase acreditei...





Já percebeu como o “quase” muitas vezes é mais interessante que uma certeza? Um “quase” trabalho, uma “quase” oportunidade, um “quase” amor. O quase é impalpável, só ele permite que a nossa cabeça construa a idéia que quiser sobre aquilo que não se realizou. É muito mais fácil se apegar a um quase do que a uma certeza. A certeza carrega todas as verdades e o quase é uma quase mentira que trás consigo todas nossas ilusões concretizadas. Quem garante que seria como eu penso? Minha única certeza é que por um momento eu quase acreditei no quase...


Quero a realidade, quero certezas, quero verdades, quero amor de verdade!



segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O Retrato

O Retrato


                                                         Eu não tinha este rosto de hoje, 
Assim calmo, assim triste, assim magro, 
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; 
eu não tinha este coração que nem se mostra. 
Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: 
Em que espelho ficou perdida a minha face?

Cecília Meireles